«Oh!/ Ah!/ êxtase & exercício/ geleias adversas geleias/ adversas geleias adversas» é um trecho de um dos textos, a serem lidos em voz alta, que abrem a exposição de Ricardo Basbaum. Exposição que reúne trabalhos novos ou inéditos no Rio de Janeiro, e que está organizada segundo os modos de ação que têm orientado sua práxis, começando com uma estrutura que impõe a escolha do caminho de entrada.

Artista multimídia, escritor, professor, curador, crítico, com ampla reflexão sobre a condição do artista contemporâneo além do mero produtor de obras de arte. Ricardo denomina de artista-etc. (Como também se autodefine) esse artista que se desloca por diversos papéis e politiza as relações com o circuito de arte, e que entende a produção poética como construção, fabricação de problemas.

Em Londres, quando estuda no Goldsmiths College, lança o panfleto/manifesto “I propose a new concept for art practice...”. Surge, então, o Supraconceitual, uma espécie de complemento ao Supersensorial, de Hélio Oiticica. Nesse período, Ricardo Basbaum já acumulara uma forte experiência, quer fosse no embate com a “transvanguarda” brasileira, quer fosse com as diversas ações coletivas e os textos que já iniciavam o seu corpusteórico.

Comuns em sua produção, vários diagramas são apresentados em “nbp-etc: escolher linhas de repetição”. Em seus textos que analisam esse tipo de representação visual, o artista afirma que o utiliza como ferramenta, pensamento em deslocamento. Em dois diagramas, ele opera como historiador da arte, revendo e rediscutindo os anos 80 questão tratada anteriormente em muitos de seus textos. Em um outro diagrama, ele discute o seu projeto NBP Novas Bases para a Personalidade, que tem início em 1989, com o objetivo de estabelecer conexões diretas com o espectador, envolvendo diálogos com o neoconcretismo. Ainda um outro diagrama trata da mitologia do artista e é complementado por um áudio que as pessoas podem escutar, recostadas em colchões colocados em estruturas arquitetônicas e escultóricas no meio da sala.

 

É apresentado um conjunto de onze vídeos de sua série “eu-você: coreografias, jogos e exercícios”, título que explicita o seu conceito de participação, de fazer junto ao reunir diversos participantes. Este trabalho foi realizado desde 1999, em diferentes ocasiões e contextos, em cidades do Brasil e do exterior, sendo o mais recente no MoMa, no programa educativo da exposição de Lygia Clark.

 

O panorama atual de suas práticas artísticas aqui apresentado enfatiza, segundo Ricardo Basbaum, a “visualização e espacialização da fala do artista – enquanto obra – no local de exposição”.


Imagens por Mario Grisolli.

Curadoria por Glória Ferreira.